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20 de abr de 2012

Imagine .


Escrito por : Rebecca Perillo @GoiasAmaRestart


Certo dia me deparei comigo mesmo na sacada, olhando para o nada, apenas sentindo o vento no meu rosto e penteando meus cabelos para trás. Aquilo tinha se tornado comum nos entardecer dos dias cheios: chegava em casa, acariciava o pequenino enquanto deixava aquelas coisas pesadas no sofá, sentava na varada e ele, mais que depressa, pulava no meu colo e logo adormecia. Daí você me pergunta o que isso tem de tão diferente que deve ser relatado, e eu respondo: o diferente dessa história é o fato da minha paz, minha calma de espírito com aquele filhote no meu colo.
Quem nos vê naquela pose não consegue imaginar que a alguns meses ambos ficavam, durante noites a fio, sozinhos cada qual em seu apartamento, chorando baixinho, pois o dono do seu coração, aquele que nossos corações prometeram estar junto para sempre estava longe e, às vezes, nem parecia saber da nossa existência. De dia até vinham as visitas, os amigos e familiares, para ver como estamos e nos fazer um pouco de companhia, mas todos logo iam embora e nunca preenchiam o vazio em nosso coração e mais uma vez voltávamos para as nossas camas chorar baixinho e lamentar a falta do ente querido.
Ele ainda tinha alguns momentos de felicidade: a pessoa que ele tanto amava voltava para casa e, apesar de serem poucos dias, bastavam para não ouvir o seu choro do outro lado da parede nas noites seguintes. E o engraçado é, mesmo que meu amor não vinha, eu me sentia feliz por ele... Era lindo como ele era tratado, os carinhos e as palavras de amor que lhe era ditas acalmavam o meu coração e me fazia acreditar em você e que, um dia, seria a minha vez de ouvir “nunca vou te abandonar!” Mas, aí as noites tristes voltavam e nós voltávamos a nossa tristeza solitária e solidária, onde as paredes eram as únicas que separavam nossos abraços de consolo um no outro.
Nunca havíamos nos visto, até aquela tarde em que o alarme de incêndio dispara. Mais do que depressa junto meus trabalhos e documentos numa bolsa e saio do apartamento, já na escada me lembro do meu vizinho: ele está sozinho! Precisava ajudá-lo, mas como?! Arrebentei a porta e o agarrei. Descemos juntos as escadas e logo percebemos que fora um alarme falso... Que beleza! Teria que pagar uma porta, como se já não tivesse o condomínio, o sofá, o armário e a geladeira pra pagar e um coração partido pra cuidar... Daí ele me cutuca e solta 'aquele sorriso' que me fez lembrar: não estaria sozinha!
Chamei chaveiro e marceneiro: quebrei o portal e arrebentei a fechadura... Poxa! Não sabia que eu tinha tanta força assim! Porta arrumada e de fechadura nova, deixei um bilhete na porta... É bom avisar que a fechadura foi trocada e que a nova chave estaria comigo e que, por questão de segurança, ele estaria comigo.
Foram dois dias só ele e eu. Brincamos e vimos filmes o fim de semana inteiro e dormimos no sofá. Acordei com uma batida na porta. Ele já sabia que era 'a' pessoa que lhe fazia feliz. Ainda dormindo me levanto e, esfregando os olhos abro a porta e meu coração dispara: ERA VOCÊ! Como eu poderia imaginar que você morava no apartamento ao lado? Que ele e eu tínhamos as mesmas tristezas e alegrias ao te ver sorrindo na nossa frente?! Que o som da sua voz nos acalmava?! Fiquei em choque mais alguns segundos até que cai em mim e convidei você pra entrar. Contei tudo o que tinha acontecido, pedi desculpas pelo ocorrido e você só ouvia e gostava disso, perguntou mais sobre minha vida e me convidou pra um café no fim do meu expediente no dia seguinte.
Agora você me pergunta: porque eu resolvi te contar tudo isso, com aquele sorriso tímido que só você tem, Lucas e eu te respondo: porque o Paçoca pediu uma história para ficar curtindo aquele pôr-do-Sol antes de você chegar, e eu resolvi contar o início da nossa história de amor!

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